Profissional de Educação Física: LUIZ CARLOS CHIESA.
Registro: CREF 01-000069-G/ES.
No presente texto tentaremos descrever de forma limitada, sobre a obesidade infantil e levantar possíveis questionamentos quanto a soluções, tentando despertar para um assunto tão grave da atualidade e do futuro próximo de nossos jovens.
Segundo McArdle; 1984 “a obesidade pode ser definida como o aumento excessivo da quantidade de gordura corporal”. “A 0besidade consiste no depósito excessivo de gordura no tecido adiposo”... Revista âmbito de medicina esportiva, ano II n.º 16; 1996.
Por meio dos conceitos acima descritos, podemos observar o comprometimento dos autores com o conceito fechado visando os aspectos intrínsecos entre gordura corporal e excesso da mesma. Comumente encontramos as expressões excesso de peso e sobrepeso, relacionadas à obesidade. Devemos ser cautelosos na interpretação de tal situação, pelo fato de encontrarmos pessoas com peso corporal total alto e com baixo volume de gordura, principalmente aquelas treinadas em esportes de força e musculação. Não trataremos neste texto destes aspectos porque já foram discutidos em um artigo anterior.
O excesso de peso em gordura nas crianças, identificado e difundido na atualidade por meio dos mecanismos de comunicação como jornais, revistas, rádio e televisão, indicam-nos o caminho, que esta se tornando um problema, no mínimo preocupante para com o futuro próximo de nossos atuais jovens.
Caminhamos a passos largos para um estado de saúde populacional epidemiológico, o qual trará prejuízos, não só financeiros para o estado, como também emocional, para aqueles que realmente estão envolvidos com os problemas de saúde pública de nossos cidadãos.
Quando adultos, a atual população de pequenos obesos, poderá atingir níveis astronômicos de doenças correlacionadas ao excesso de gordura corporal. Doenças crônicas predominam mais nos obesos do que na população com percentual de gordura corporal normal. Doenças cardiovasculares, pulmonares, ortopédicas, diabetes e outras, possuem estreita relação com a obesidade, promovendo situações incapacitantes na vida diária e tristemente, são responsáveis em grande parte, pela morte prematura do homem moderno.
A obesidade possui fatores inerentes à hereditariedade, a aspectos socioculturais e também ligados à falta de atividade física diária. As soluções para o quadro, que esta sendo formado, pode ser visualizada por meio da junção entre orientação educacional e planejamento social, assim como, pela utilização das descobertas médicas e acesso democrático para a toda a população.
A falta de orientação nutricional básica, criada pelo descaso e pela ausência de profissionais das áreas de nutrição e endocrinologia, nas escolas públicas e também privadas, pode ser em parte, causadora de distúrbios relacionados à nutrição de nossa população na era moderna.
Apenas identificar causas não é o ideal, devem-se criar atitudes práticas para solucionar os problemas encontrados, para que os mesmos não se tornem caso de saúde publica. Criar condições para que a população não só emagreça, mas principalmente torne-se sadia por meio de hábitos alimentares regrados, conduta social equilibrada e atividades esportivas permanentes, são objetivos claros e o desafio a ser alcançado.
Infelizmente a contribuição para o emagrecimento apenas por meio de atividades físicas é pouco determinante para o sucesso no emagrecimento segundo Nieman; 1999, assim como pelo fato dos obesos serem pouco aptos e desmotivados para a prática de exercícios. A desmotivação é principalmente relacionada ao baixo condicionamento físico, inerente à falta de exercícios regulares, contribuindo para solidificar o conceito de sedentarismo.
Há um conjunto de situações que devem ser associadas, para que venhamos obter resultados expressivos, sobre a perda de peso e perda de gordura corporal e principalmente para a manutenção deste estado adquirido.
Deve-se garantir ao indivíduo desde o pré-natal, realizado com a gestante, passando pelo incentivo à amamentação e pela orientação nutricional de base, nos primeiros anos de formação ou desenvolvimento estrutural. Atenção especial deve ser dispensada principalmente no período da adolescência, onde encontramos problemas relacionados com a má alimentação, como são a anorexia e a bulimia e inatividade física.
As crianças precisam ser envolvidas em atividades físicas recreativas sistemáticas, e orientadas por profissionais capacitados. A redução do tempo livre que é utilizado em jogos de computadores é imprescindível. As atividades intelectuais previstas em sala de aula precisam ser modificadas e necessitam tomar uma direção ou rumo ao ar livre. A teoria deve ser desenvolvida e aprendida por meio da vivência pratica corporal.
Ligadas ao sobrepeso e obesidade encontramos controvérsias sobre o volume de ingestão calórica e o tipo de alimento mais adequado a ser consumido; há necessidades relacionadas ao metabolismo de absorção, armazenamento e mobilização energética individuais. Não necessariamente o obeso ingere volumes calóricos tão grandes, ou muito acima de suas necessidades, é fato que o balanço calórico negativo deve ser atingido, para que haja uma redução no peso corporal total e peso de gordura. A qualidade ou o tipo de alimentos, combinada com a divisão alimentar lógica diariamente, interfere diretamente sobre a forma de absorção e armazenamento de energia e nutrientes pelo organismo.
È comum encontrarmos indivíduos adultos com sobrepeso, realizando ingestão calórica total inferior, quando comparada ao período de juventude e relativa “magreza”, em associação ao baixíssimo consumo calórico, em atividades físicas e esportivas atuais. Como resultante do presente quadro, tem-se uma medíocre massa muscular, um condicionamento físico deficiente, e percentual de gordura mais elevado, direcionando o organismo ao estado de sobrepeso e obesidade.
A redução de peso corporal, experimentada por meio apenas de dieta, vem acompanhada de maneira desvantajosa também pela perda de massa muscular. Podemos minimizar esta situação de perda de peso muscular por meio da conscientização e da inclusão de atividades físicas, relacionadas principalmente com o treino de força, durante e após o processo de emagrecimento.
Pelo exemplo exposto, necessitamos buscar soluções, não só para que seja controlado o peso de quem já apresenta sobrepeso e obesidade; precisamos criar as condições necessárias, para que os indivíduos não se tornem escravos de dietas mirabolantes visando emagrecimento, ou mesmo dependentes de regimes descontrolados e desorientados durante toda a vida.
O conhecido efeito sanfona (emagrecer x engordar), precisa ser banido da vida de quem vive sob dietoterapia, esta sindrome, é exatamente uma falha nos métodos de controle sobre a obesidade.
Necessitamos não deixar as pessoas, e principalmente as crianças e os adolescentes, a engordarem acima dos limites médicos recomendados. A ação de conscientização e controle sobre os mecanismos socioculturais da obesidade, tem que ser divididos entre o estado, entre a família e os profissionais da saúde.
Estamos convivendo com o fantasma da forma físico-estética padrão. Estamos esquecendo elementos de importância crucial para a nossa sociedade. Questões que envolvem a saúde publica, como a evolução ou aumento da obesidade, das doenças hipocinéticas, cardíacas, D.O.R.T e L.E.R. e também das epidemias respiratórias dentre outras.
As situações de doenças acima citadas estão sendo subjugadas ou dominadas, por uma exigência de amostra estética pessoal, que não condiz com os elementos constitutivos de saúde global do ser humano. Há coisas mais importantes a serem pensadas e resolvidas antes de dar importância a algo tão superficial como a estética.
Visando atingir o padrão estético, criam-se situações que envolvem elementos degradantes do homem, como as drogas anabólicas, estimulantes e “emagrecedoras”.
Desenvolver bons e saudáveis hábitos dietéticos, promovidos por meio do ensino e educação veiculados por especialistas
Aos cidadãos resta o direito de exigir um tratamento mais humano, para saciar as suas necessidades e anseios. Aos políticos resta seguir as exigências de quem os elegeu, por meio de voto honesto e pelo depósito de confiança que lhes foi concedido.
Antes de encerrar este texto, devo lembrá-los que o futuro de nossas vidas, pode depender das atuais crianças e jovens. Por um motivo tão nobre, qualquer esforço para tornar a sociedade mais saudável, educada, e consciente tem que ser tentado imediatamente.
Se a nossa atitude e capacidade para reformular a situação vigente ficar como está, ou seja, estagnada, correremos o risco de não vivermos em paz com a nossa consciência.